Como a depressão começa? Como saber se não é só tristeza? Quando procurar ajuda? Essas são dúvidas frequentes quando o assunto é o transtorno mental que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo 11 milhões no Brasil. Compreender o que é a depressão, sintomas, causas e tratamento passa, antes de qualquer coisa, pelo entendimento de que ela não é uma simples tristeza e que pessoas aparentemente felizes também podem sofrer com esse transtorno.
Frequente no mundo todo – e potencializada pela pandemia da Covid-19 –, a depressão é capaz de atingir qualquer idade. Porém, menos da metade das pessoas que têm depressão recebe tratamento, de acordo com a OMS, mesmo sendo a principal causa de incapacidade em todo o planeta. Em alguns países, esse número chega a 10%. O que chama a atenção é que existe tratamento para a depressão, mas inúmeros fatores afastam quem precisa de ajuda, como o preconceito. Por isso, convidamos você a acompanhar esse texto até o fim.
Depressão: o que é
Ao contrário do que muitos pensam, a depressão não é sinônimo de tristeza (sentimento natural e passageiro que surge de tempos em tempos). A depressão é um transtorno mental capaz de interferir no dia a dia de quem convive com ela e envolve sintomas persistentes que causam sofrimento e perda da capacidade de sentir prazer, podendo impactar o sono, o apetite, a capacidade de trabalhar e de conviver socialmente.
Um conjunto de fatores heterogêneos explica a causa da depressão:
- Carga genética (apesar de também acontecer em pessoas sem histórico familiar);
- Questões bioquímicas (estudos mostram que a deficiência de neurotransmissores como dopamina, serotonina, noradrenalina e glutamato, assim como fatores inflamatórios e outras causas desconhecidas, estão relacionados com a depressão);
- Psicológicas (a mente conecta o “eu consciente” ao mundo à nossa volta);
- Ambientais (a biologia humana é inseparável do ambiente onde vive).
Quais os sinais de início de depressão?
Ansiedade, melancolia, irritabilidade… A depressão não é vivenciada da mesma forma por todas as pessoas e a falta de conhecimento sobre o assunto gera comentários como: “Ah, mas você tem uma carreira de sucesso, tem dinheiro, como pode estar deprimido?”. Os sintomas, o nível de gravidade e a duração do quadro vão variar a cada caso. Por isso, é importante ter atenção aos sinais que independem de uma aparente tristeza:
- Mudança de comportamento;
- Alterações de humor, sono e alimentação;
- Falta de capacidade de sentir prazer;
- Desesperança;
- Isolamento social;
- Diminuição ou falta de energia
- Queda de rendimento no trabalho ou na escola;
- Consumo de substâncias psicoativas;
- Tentativa de suicídio;
- Transtornos mentais comórbidos.
Associado à morte prematura por suicídio, o Transtorno Depressivo possui diferentes tipos, entre eles:
- Transtorno Depressivo Maior
- Transtorno Depressivo persistente (distimia)
- Transtorno Depressivo Bipolar
Tratamento para a depressão
Quanto mais cedo a depressão for diagnosticada, maior a chance de evitar consequências graves como a morte prematura por suicídio. Existem inúmeras possibilidades de tratamento, como o uso de antidepressivo indicado pelo Psiquiatra e combinado com psicoterapia e mudanças no estilo de vida, a exemplo da prática de exercício físico e da adoção de uma alimentação saudável.
Mas o que fazer quando o antidepressivo não faz efeito? A depressão resistente ou refratária (que não responde ao uso de dois ou mais antidepressivos) é uma realidade e conta com outras possibilidades de tratamento. Entre elas, estão a infusão de cetamina / escetamina, a Eletroconvulsoterapia (ECT) e a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), que são técnicas da psiquiatria intervencionista com indicações específicas. Vencer o estigma é o primeiro passo para o tratamento. Procure um especialista de sua confiança.